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Tecnologia

Inteligência Artificial no Judiciário: Riscos, Benefícios e Desafios da Transformação Digital

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez Publicado em março 5, 2026
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5 Min Read
Inteligência Artificial no Judiciário: Riscos, Benefícios e Desafios da Transformação Digital
Inteligência Artificial no Judiciário: Riscos, Benefícios e Desafios da Transformação Digital

A aplicação da inteligência artificial no Judiciário brasileiro avança de maneira gradual, mas consistente, trazendo debates sobre seus impactos, limites e oportunidades. No II Encontro com Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais Federais, promovido pelo Superior Tribunal de Justiça, especialistas e magistrados discutiram como a tecnologia pode otimizar a análise de admissibilidade de recursos e transformar processos repetitivos, ao mesmo tempo em que ressaltaram a necessidade de supervisão humana e padrões éticos claros.

O evento evidenciou que, embora o uso da IA ainda esteja em estágio inicial, já se mostra valioso na organização e análise de informações processuais. O presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, destacou que a IA pode apoiar a triagem de recursos e o tratamento de matérias recorrentes, mas que a aplicação direta no mérito das decisões ainda é distante. O vice-presidente do STJ e corregedor-geral da Justiça Federal, ministro Luis Felipe Salomão, complementou afirmando que ferramentas de IA generativa já estão presentes em mais de 45% dos tribunais brasileiros, indicando um movimento sólido de digitalização e automação de tarefas jurídicas.

Entre os benefícios mais evidentes, os painelistas apontaram maior agilidade processual, redução do tempo de tramitação e diminuição de custos operacionais. Ferramentas como Victor, VitórIA e Maria, utilizadas pelo Supremo Tribunal Federal, exemplificam como a tecnologia pode classificar temas, agrupar processos semelhantes, gerar ementas e realizar pesquisas jurisprudenciais, sempre com a supervisão de profissionais qualificados. No STJ, a plataforma STJLogos demonstrou que a IA pode interagir diretamente com peças processuais, identificar pedidos e fundamentos nos autos e auxiliar na elaboração de decisões, mantendo o controle humano como prioridade.

No entanto, o encontro também enfatizou os riscos associados ao uso indiscriminado da IA. A juíza federal Daniela Madeira, presidente do Comitê Nacional de Inteligência Artificial do Judiciário, alertou para desafios como escassez de profissionais capacitados, questões de privacidade, segurança de dados e potenciais vieses discriminatórios. O advogado e professor Dierle Nunes destacou que a IA generativa pode produzir informações falsas ou imprecisas se não houver supervisão adequada, ressaltando a necessidade de literacia digital aprofundada e compreensão dos modelos de base da tecnologia.

Esses alertas reforçam que a confiança excessiva na máquina sem o acompanhamento humano pode gerar erosão ética, comprometendo decisões judiciais e a credibilidade do sistema. A integração da tecnologia com práticas de governança, monitoramento e auditoria é essencial para garantir que o uso da IA seja transparente, responsável e alinhado às normas jurídicas.

Além de otimizar processos internos, a IA também abre caminho para o uso estratégico de dados. Juízes auxiliares da presidência do CNJ destacaram que o verdadeiro desafio não é a falta de informações, mas a capacidade de analisá-las e aplicá-las de forma eficiente. Projetos como o Codex demonstram a importância de integrar dados processuais de tribunais distintos, permitindo que decisões mais fundamentadas e consistentes sejam tomadas a partir de um panorama completo das informações disponíveis.

O debate revelou ainda que a implementação da IA no Judiciário deve ser encarada como uma evolução gradual e estruturada. A tecnologia não substitui a análise crítica e a experiência humana, mas complementa a atividade jurisdicional, liberando os magistrados de tarefas repetitivas e permitindo maior foco em questões complexas. A perspectiva é que, com regulamentações claras, capacitação contínua e supervisão rigorosa, a IA possa elevar a eficiência do sistema sem comprometer princípios éticos ou direitos fundamentais.

Portanto, a transformação digital no Judiciário exige equilíbrio entre inovação e cautela. A inteligência artificial oferece potencial para modernizar processos, reduzir burocracia e acelerar decisões, mas depende de aplicação responsável e de profissionais preparados para validar, revisar e contextualizar suas análises. À medida que tribunais exploram novas ferramentas e estratégias, o caminho do sucesso será marcado pelo uso consciente da tecnologia, integração de dados e fortalecimento da governança, garantindo que o Judiciário se beneficie das vantagens da IA sem perder a precisão, a justiça e a confiança da sociedade.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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