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Revista Tribunais > Blog > Notícias > Como a crise familiar pode afetar a ansiedade dos adolescentes? Taiza Tosatt Eleoterio aprofunda a explicação sobre o tema!
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Como a crise familiar pode afetar a ansiedade dos adolescentes? Taiza Tosatt Eleoterio aprofunda a explicação sobre o tema!

Nadia Serova
Nadia Serova Publicado em abril 20, 2023
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7 Min de leitura
Taiza Tosatt Eleoterio
Taiza Tosatt Eleoterio

A especialista em saúde mental e relações familiares, Taiza Tosatt Eleoterio, aponta que períodos de crise dentro da família, como conflitos frequentes entre os pais, separações ou episódios de violência doméstica, costumam impactar diretamente a saúde emocional dos adolescentes, muitas vezes se manifestando por meio de sinais de ansiedade que nem sempre são reconhecidos como tal por quem está próximo. Diferente do que muitos pais imaginam, esses sinais raramente aparecem de forma explícita, o que torna a atenção redobrada ainda mais necessária nesse período.

Por que a adolescência é um período especialmente sensível a crises familiares?

A adolescência já é, por si só, uma fase de intensas transformações emocionais, físicas e sociais, o que torna os adolescentes particularmente vulneráveis a instabilidades adicionais vindas do ambiente familiar. Diferente das crianças menores, os adolescentes costumam ter mais consciência da gravidade das situações vividas em casa, mas ainda não possuem ferramentas emocionais totalmente desenvolvidas para lidar com esse tipo de sobrecarga, o que os coloca em uma posição intermediária, entre a percepção adulta da crise e a falta de recursos plenos para elaborá-la. Quando essa sobrecarga se prolonga, o risco de que ela se converta em um trauma na infância ou no início da adolescência aumenta consideravelmente.

Taiza Tosatt Eleoterio informa que essa combinação entre maior consciência da situação e recursos emocionais ainda em formação costuma intensificar a ansiedade, mesmo quando o adolescente tenta demonstrar, para os pais ou para si mesmo, que está lidando bem com o que está acontecendo.

Sinais físicos que podem indicar ansiedade em adolescentes

Dores de cabeça frequentes, desconforto estomacal sem causa médica aparente, tensão muscular constante e alterações no sono, como dificuldade para dormir ou sono excessivo, são alguns dos sinais físicos que costumam acompanhar quadros de ansiedade nessa faixa etária. Esses sintomas, quando persistentes, merecem atenção, especialmente se surgiram ou se intensificaram junto com o período de crise familiar, ainda que muitos adolescentes não façam, por conta própria, essa associação entre o mal-estar físico e o que estão vivendo emocionalmente em casa.

Taiza Tosatt Eleoterio observa que sinais físicos recorrentes sem explicação médica clara não devem ser interpretados apenas como “manha” ou exagero adolescente, já que frequentemente representam uma forma do corpo expressar um sofrimento emocional que ainda não encontrou outras vias de expressão.

Mudanças comportamentais que merecem atenção

Isolamento social repentino, irritabilidade constante, queda no desempenho escolar, ou o oposto, um perfeccionismo exagerado como forma de manter algum controle em meio ao caos familiar, são mudanças comportamentais que também costumam sinalizar ansiedade. Alguns adolescentes reagem se afastando de amigos e atividades que antes gostavam, enquanto outros passam a se envolver excessivamente com responsabilidades que não são suas, assumindo, muitas vezes, um papel de cuidado dentro de casa que não caberia à sua idade.

Observar mudanças em relação ao padrão comportamental habitual daquele adolescente específico é mais revelador do que comparar seu comportamento com o de outros jovens da mesma idade, já que cada pessoa reage de uma forma própria à instabilidade familiar, conforme o próprio histórico emocional e o temperamento de cada um.

Por que muitos adolescentes escondem o que estão sentindo?

É comum que adolescentes evitem falar abertamente sobre a ansiedade que sentem, seja por não quererem sobrecarregar ainda mais os pais em meio à crise, seja por dificuldade em nomear o que estão sentindo, ou até por medo de serem vistos como fracos diante de uma situação que exige, aparentemente, que todos se mantenham fortes. Esse silêncio, embora protetor à primeira vista, tende a intensificar a sensação de isolamento emocional do adolescente dentro da própria família.

Criar espaço, como pontua Taiza Tosatt Eleoterio, para que o adolescente fale sobre o que sente, sem cobrança nem pressa por respostas, costuma ser mais eficaz do que perguntas diretas e repetidas sobre como ele está se sentindo diante da crise familiar.

Como os pais podem ajudar, mesmo em meio à própria crise?

Mesmo estando emocionalmente sobrecarregados com a própria situação, os pais podem ajudar reconhecendo abertamente que o momento é difícil também para o adolescente, sem tentar minimizar o que ele está vivendo para poupá-lo. Manter, quando possível, alguma previsibilidade na rotina, como horários de refeição e sono, também ajuda a transmitir segurança em meio à instabilidade, mesmo quando outros aspectos da vida familiar continuam em processo de reorganização. Contar com uma rede de apoio comunitário, seja por meio da escola, de familiares próximos ou de amigos de confiança, também alivia parte dessa sobrecarga, permitindo que o adolescente encontre acolhimento em mais de um lugar.

Sob a ótica de Taiza Tosatt Eleoterio, buscar apoio profissional para o adolescente, e não apenas para os adultos envolvidos na crise, costuma ser um passo importante, já que ele também precisa de um espaço próprio para elaborar o que está vivendo.

Por que identificar esses sinais cedo faz diferença?

Reconhecer sinais de ansiedade em adolescentes logo no início de uma crise familiar, antes que esses sinais se intensifiquem ou se cronifiquem, facilita bastante o processo de acolhimento e tratamento, quando necessário, além de reduzir a chance de que esse sofrimento se estenda, sem ser notado, por um período prolongado da vida do adolescente.

Chamar atenção para esse tipo de sofrimento, ainda que silencioso, é o que Taiza Tosatt Eleoterio considera essencial para que o adolescente não atravesse sozinho um período de crise familiar que, embora temporário, pode deixar marcas duradouras se não for devidamente acolhido.

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