A segurança de sistemas públicos ainda enfrenta limitações de gestão e acompanhamento dentro do governo federal. Em fiscalização divulgada em 20 de outubro de 2026, o Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou as medidas adotadas por mais de 200 organizações e concluiu que nenhuma havia implementado integralmente todas as iniciativas básicas consideradas no levantamento.
O resultado não significa ausência de avanços. Segundo o Tribunal de Contas da União, aumentou de dois para 12 o número de instituições que adotaram mais de 90% das medidas de segurança avaliadas. Também houve redução entre os órgãos que cumpriram menos de 40% dos controles: eram 166 e passaram a ser 123.
Os números indicam uma melhora geral nos indicadores, mas revelam que a evolução não foi suficiente para assegurar uma implementação completa. O levantamento coloca em evidência a necessidade de tratar a proteção de sistemas e informações como uma atividade permanente de governança pública, e não apenas como uma tarefa técnica das áreas de tecnologia.
Falta de profissionais especializados é um dos obstáculos
Entre os problemas identificados pelo TCU está a insuficiência de profissionais especializados. A ausência de equipes com conhecimento específico pode dificultar a identificação de vulnerabilidades, a definição de prioridades e a resposta adequada a riscos que afetam sistemas e bases de dados utilizados pela administração pública.
Esse desafio ganha relevância porque os órgãos federais dependem de estruturas digitais para executar atividades administrativas e prestar serviços à população. Quando controles de segurança não são aplicados de forma consistente, aumentam as dificuldades para prevenir incidentes, acompanhar falhas e manter a continuidade dos processos institucionais.
A fiscalização também encontrou deficiências no acompanhamento dos riscos e na avaliação das medidas adotadas. Na prática, isso significa que não basta estabelecer controles: é necessário verificar se eles estão funcionando, identificar o que permanece vulnerável e acompanhar a evolução das providências tomadas por cada organização.
Por que a segurança da informação afeta o cidadão
A proteção de ambientes digitais do governo tem impacto direto sobre informações e serviços utilizados pela sociedade. Sistemas públicos podem concentrar dados necessários ao funcionamento da administração e ao atendimento de cidadãos. Por isso, falhas de segurança podem comprometer a disponibilidade de serviços, a integridade de informações e a confiança no uso de canais digitais oficiais.
O diagnóstico do TCU ajuda a deslocar o debate de uma visão restrita a ataques cibernéticos para uma questão mais ampla: a capacidade de cada órgão de organizar responsabilidades, mapear riscos e acompanhar resultados. A segurança da informação depende de processos institucionais, recursos humanos e monitoramento contínuo, além das ferramentas tecnológicas empregadas.
O fato de 12 organizações terem superado 90% de implementação mostra que algumas instituições avançaram mais do que outras. Ao mesmo tempo, a permanência de 123 órgãos abaixo de 40% evidencia uma diferença significativa no nível de adoção dos controles avaliados. A fiscalização, portanto, aponta tanto uma tendência de melhora quanto a necessidade de reduzir essa desigualdade.
TCU recomenda aperfeiçoamento da gestão de riscos
Diante dos resultados, o Tribunal recomendou que os órgãos federais aperfeiçoem os processos de gestão de riscos e o monitoramento das ações de segurança da informação. A orientação busca fortalecer a capacidade de acompanhar as medidas adotadas e de verificar se elas respondem aos riscos identificados.
O acompanhamento é relevante porque a segurança digital não se encerra com a criação de uma política ou a instalação de uma solução. Controles precisam ser avaliados ao longo do tempo, especialmente quando os sistemas, as ameaças e as formas de prestação de serviços sofrem mudanças. Sem essa revisão, medidas inicialmente adequadas podem deixar de responder às necessidades da organização.
O balanço divulgado pelo TCU oferece, assim, um retrato da maturidade institucional dos órgãos federais nesse campo. Embora os indicadores mostrem progresso, a ausência de implementação integral em todas as organizações avaliadas reforça que ainda há etapas a cumprir para consolidar uma proteção mais uniforme dos sistemas e informações públicas.
