Existe um paradoxo no centro da gestão de resíduos urbanos: aquilo que descartamos guarda energia suficiente para iluminar bairros inteiros. E nesse panorama, Felipe Schroeder dos Anjos alude que transformar esse passivo em ativo é o que move o trabalho do engenheiro ambiental, que vê na recuperação energética de resíduos sólidos uma das fronteiras mais promissoras entre sustentabilidade e produção energética no Brasil.
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O metano que vira eletricidade
Um dos caminhos mais maduros é o aproveitamento do biogás de aterro. Como praticamente metade dos resíduos enterrados é orgânica e biodegradável, sua decomposição libera metano, um potente gás de efeito estufa que, captado, se converte em energia limpa e renovável. Estudos brasileiros ilustram a escala do potencial: a análise do aterro de Teresina projetou produção média anual superior a 30 milhões de metros cúbicos de metano, com potencial elétrico médio de 4,5 MW e pico que ultrapassa 11 MW.
Para Felipe Schroeder dos Anjos, essa dupla vantagem, mitigar emissões e gerar receita com energia, torna a captação de biogás uma das soluções mais elegantes da infraestrutura ambiental. A engenharia envolvida, que combina geradores, sistemas de filtragem, queimadores e medição volumétrica, é tecnicamente acessível e replicável em centenas de municípios.
A nova geração de usinas
O horizonte vai além do biogás. Projetos de incineração energética com controle de emissões, como a Unidade de Recuperação Energética prevista para entrar em operação em Barueri, sinalizam a chegada de uma nova geração de plantas no país. Essas usinas integram a economia circular ao recuperar materiais como metais e minerais que, de outro modo, se perderiam. Além disso, contribuem para a redução do volume de resíduos destinados aos aterros, ampliando a eficiência dos sistemas de gerenciamento e fortalecendo a sustentabilidade urbana.

Felipe Schroeder dos Anjos, como engenheiro ambiental, destaca ainda um efeito menos comentado: o emprego. Estudos europeus apontam que a recuperação energética gera muito mais postos de trabalho por tonelada processada do que a simples disposição em aterro, somando empregos qualificados na construção e na operação das plantas ao longo de décadas. Esse impacto positivo se estende à cadeia produtiva associada, estimulando a formação de profissionais especializados e impulsionando o desenvolvimento econômico regional de forma contínua.
Eficiência como princípio
A lição que Felipe Schroeder dos Anjos extrai desse cenário é direta: as estratégias sustentáveis de manejo devem maximizar a recuperação energética e material e, ao mesmo tempo, reduzir a poluição e a quantidade de resíduos enterrados. Cada tonelada que deixa de ir para um aterro e passa a gerar energia representa um avanço duplo, ambiental e econômico. É essa lógica de eficiência que, no entender do engenheiro, definirá a próxima fase da gestão de resíduos no Brasil.
Além do aproveitamento energético, a eficiência também está relacionada à capacidade de integrar diferentes tecnologias e etapas do processo de gestão de resíduos. Sistemas que combinam triagem, reciclagem, tratamento de resíduos orgânicos e recuperação energética conseguem extrair maior valor dos materiais descartados, reduzindo desperdícios e ampliando os benefícios para a sociedade. Essa visão integrada permite que os resíduos deixem de ser encarados apenas como um passivo ambiental e passem a ser reconhecidos como recursos capazes de gerar novas oportunidades econômicas.
Outro aspecto fundamental é a adoção de planejamento de longo prazo e de investimentos em infraestrutura adequada. Municípios e empresas que priorizam soluções eficientes tendem a reduzir custos operacionais, aumentar a vida útil dos aterros e melhorar os indicadores ambientais. Tal como considera o engenheiro ambiental, Felipe Schroeder dos Anjos, a busca por eficiência não deve ser vista apenas como uma meta técnica, mas como um compromisso permanente com a sustentabilidade, a inovação e o desenvolvimento responsável das cidades brasileiras.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
