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Revista Tribunais > Blog > Notícias > Felipe Rassi mostra o que avaliar na compra de créditos com devedores em grupos econômicos
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Felipe Rassi mostra o que avaliar na compra de créditos com devedores em grupos econômicos

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez Publicado em abril 1, 2026
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5 Min Read
Felipe Rassi
Felipe Rassi

Felipe Rassi atua em um campo no qual a análise do crédito exige leitura técnica e visão estratégica. Quando o devedor integra um grupo econômico, a avaliação deixa de se limitar à empresa que assinou o contrato e passa a considerar vínculos societários, organização patrimonial e reflexos jurídicos mais amplos. No mercado de créditos estressados, esse cuidado é relevante porque a possibilidade de recuperação nem sempre depende apenas do valor da dívida ou da existência de garantia formal. 

Em muitos casos, a estrutura empresarial ao redor do devedor altera a percepção de risco, o tempo de cobrança e a viabilidade da operação. Vamos explorar como esse tipo de análise influencia decisões mais seguras no mercado financeiro. Leia para saber mais sobre o tema!

Por que grupos econômicos exigem uma leitura mais ampla?

A compra de créditos com devedores inseridos em grupos econômicos demanda atenção especial porque a inadimplência pode estar ligada a uma rede empresarial maior. Nem sempre a empresa devedora funciona de modo isolado. Em determinadas situações, há compartilhamento de gestão, dependência financeira, circulação de ativos ou reorganizações internas que afetam diretamente a recuperabilidade do crédito. 

Para Felipe Rassi, a identificação do devedor formal é apenas o ponto de partida. O aspecto realmente relevante é entender se existe integração econômica capaz de influenciar futuras medidas de cobrança. Essa leitura mais ampla permite verificar se o crédito está vinculado a uma estrutura empresarial sólida, dispersa ou fragilizada, fator que impacta o valor do ativo e a escolha da estratégia jurídica.

Quais elementos documentais precisam ser observados?

Antes da aquisição, a documentação societária merece atenção tão cuidadosa quanto os instrumentos que comprovam a dívida. Contratos sociais, alterações societárias, atas, registros de garantias, demonstrações financeiras e documentos que revelem a dinâmica entre empresas relacionadas ajudam a mostrar o grau de conexão entre as sociedades. Também é importante observar quem se beneficiou economicamente da operação e se outras empresas do grupo tiveram participação relevante na formação da obrigação.

Conforme analisa Felipe Rassi, a consistência documental funciona como filtro para evitar uma leitura excessivamente otimista do crédito. Um ativo pode parecer atrativo pelo valor nominal ou pela presença de garantias, mas perder força quando a estrutura societária indica mudanças frequentes, pulverização patrimonial ou dificuldade de vincular juridicamente outras empresas ao passivo. 

Como a estrutura do grupo influencia a recuperação?

A configuração do grupo econômico pode ampliar ou reduzir as chances de recuperação. Em alguns contextos, a existência de empresas vinculadas abre possibilidades adicionais de responsabilização, sobretudo quando houver indícios consistentes de atuação integrada, confusão patrimonial ou uso abusivo da personalidade jurídica. Em outros, a multiplicidade de sociedades apenas aumenta a complexidade da cobrança, alonga o tempo de resposta e eleva o custo da operação.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

Felipe Rassi ressalta que esse ponto exige distinções técnicas importantes. Grupo formal, grupo de fato e mera relação societária não produzem os mesmos efeitos. Quando essa diferença é ignorada, o comprador do crédito pode atribuir valor excessivo a uma expectativa jurídica ainda frágil. Por essa razão, a leitura da estrutura empresarial precisa ser concreta, baseada em evidências e conectada à realidade patrimonial do devedor.

O que torna a decisão de compra mais segura?

A decisão de compra se torna mais segura quando o crédito é analisado dentro de seu contexto corporativo completo. Isso envolve examinar o histórico do devedor, a posição do crédito, a utilidade prática das garantias, a circulação de patrimônio entre empresas relacionadas e o potencial de judicialização futura. Quando esses fatores são observados de forma integrada, o investidor consegue medir melhor se o desconto obtido realmente compensa o risco assumido.

Por fim, Felipe Rassi conclui que operações com devedores em grupos econômicos podem oferecer oportunidades relevantes, desde que a análise não seja limitada à aparência formal da obrigação. O valor real do ativo depende da qualidade da documentação, da clareza dos vínculos empresariais e da possibilidade concreta de estruturar uma recuperação eficiente. 

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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