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Leitura: Geração distribuída de energia solar vira nova fronteira do crédito estruturado, avalia Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM
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Geração distribuída de energia solar vira nova fronteira do crédito estruturado, avalia Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM

Nadia Serova
Nadia Serova Publicado em setembro 4, 2026
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8 Min de leitura
ID CTVM
ID CTVM

Expansão de usinas solares de pequeno e médio porte conectadas à rede de distribuição amplia a demanda por estruturas de crédito privado capazes de antecipar recebíveis de contratos de comercialização de energia

A geração distribuída de energia solar, modalidade na qual usinas de pequeno e médio porte instaladas próximas ao ponto de consumo injetam energia diretamente na rede de distribuição local, consolidou-se como uma das frentes de maior crescimento do setor elétrico brasileiro nos últimos anos. Impulsionado pela busca de empresas por redução de custos com energia e pela maturidade tecnológica de projetos fotovoltaicos, esse modelo de geração vem atraindo volume crescente de investimento privado, tanto na instalação de novas usinas quanto na estruturação financeira de projetos já em operação.

Boa parte desses empreendimentos financia sua expansão por meio de contratos de compra e venda de energia de longo prazo firmados com consumidores, os chamados contratos de comercialização, que garantem previsibilidade de receita ao gerador ao longo de vários anos. Esses contratos, por representarem um fluxo de recebíveis relativamente estável e de longo prazo, passaram a ser utilizados como lastro para a estruturação de fundos de crédito privado voltados a antecipar recursos que, de outra forma, só seriam recebidos de forma diluída ao longo do tempo.

Recebíveis de contratos de energia ganham espaço como lastro de fundos

Um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios lastreado em contratos de comercialização de energia funciona de maneira semelhante a estruturas voltadas a outros setores da economia real: o gerador cede ao fundo o direito de receber os valores previstos nos contratos firmados com seus clientes, antecipando parte desse fluxo futuro em troca de um deságio, enquanto investidores do fundo passam a deter o direito sobre os recebíveis cedidos até o vencimento de cada contrato.

A particularidade desse tipo de estrutura está na necessidade de compreender as especificidades regulatórias do setor elétrico, como as regras de compensação de créditos de energia estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e os prazos de faturamento praticados pelas distribuidoras locais, fatores que influenciam diretamente o momento em que o fluxo de caixa efetivamente ingressa na estrutura do fundo.

Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, a estruturação de fundos voltados ao setor de energia exige um administrador fiduciário familiarizado com as particularidades regulatórias do segmento.

“Cada setor da economia real tem uma dinâmica própria de geração e recebimento de receita, e o setor elétrico não é exceção. Um fundo lastreado em contratos de comercialização de energia depende de um administrador capaz de acompanhar de perto as regras de faturamento das distribuidoras e os prazos de compensação de créditos, para que a projeção de fluxo de caixa apresentada aos investidores reflita com precisão a realidade operacional dos geradores”, avalia o executivo.

Due diligence técnica soma-se à análise financeira tradicional

Além da avaliação financeira convencional de um cedente, a estruturação de um fundo voltado à geração distribuída de energia solar envolve uma camada adicional de due diligence técnica, que inclui a verificação da regularidade da usina junto à distribuidora local, o histórico de geração de energia do empreendimento e a solidez dos contratos de comercialização firmados com os consumidores finais.

Essa análise combinada, financeira e técnica, busca garantir que os recebíveis que lastreiam o fundo estejam efetivamente amparados pela capacidade real de geração da usina, e não apenas pela expectativa contratual de fornecimento futuro de energia. Fatores como a manutenção regular dos painéis fotovoltaicos, a qualidade dos equipamentos instalados e o histórico de disponibilidade da usina ao longo do tempo entram na avaliação, uma vez que impactam diretamente a capacidade do gerador de honrar os contratos de comercialização que lastreiam o fundo.

A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados voltados a diferentes segmentos da economia real, o que inclui operações lastreadas em recebíveis do setor elétrico, aplicando a esses ativos os mesmos processos de conciliação em tempo real e auditoria de lastro utilizados em fundos de outros setores sob sua administração. Cerca de 74% da carteira sob administração da companhia foi constituída organicamente, reflexo de uma estratégia de crescimento apoiada na diversificação gradual entre diferentes segmentos da economia real.

Setor elétrico amplia diversificação do crédito estruturado

A entrada da energia solar distribuída no universo do crédito estruturado acompanha uma tendência mais ampla de diversificação setorial observada na indústria de FIDCs brasileira, que nos últimos anos ampliou sua atuação para segmentos como agronegócio, saúde, educação, tecnologia e infraestrutura. Para geradores de energia solar, a possibilidade de antecipar recebíveis de contratos de longo prazo representa uma alternativa relevante de capital para financiar a expansão de novas usinas, sem depender exclusivamente de linhas de financiamento bancário tradicionais destinadas ao setor elétrico.

Perspectivas para o financiamento da geração distribuída

Com a geração distribuída solar mantendo ritmo consistente de expansão no Brasil e a demanda por energia mais previsível e economicamente competitiva seguindo em alta entre empresas de diferentes portes, a tendência é que estruturas de crédito privado lastreadas em recebíveis do setor elétrico ganhem relevância crescente. Para administradores fiduciários especializados em crédito estruturado, acompanhar essa evolução regulatória e operacional do setor de energia deve seguir como um fator determinante para sustentar a confiança de investidores em fundos voltados a esse segmento da economia real. Com mais de 9 mil contas operacionais ativas sob sua administração, distribuídas entre fundos de diferentes setores, a ID CTVM soma à estruturação de crédito para energia solar a mesma experiência acumulada em outras frentes do crédito privado, o que tende a facilitar a adaptação de sua infraestrutura tecnológica às particularidades regulatórias do setor elétrico.

Sobre a ID CTVM

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

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